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Instituto Unibanco reúne 250 gestores do ES em Seminário sobre Gestão Escolar

29 outubro 2015

O Seminário Estadual de Gestão Escolar para Resultados de Aprendizagem – Espírito Santo foi realizado ontem, 28 de outubro, no Sesc Praia Formosa, em Aracruz (ES), pelo Instituto Unibanco, em parceria com a Secretaria da Educação do Espírito Santo, para promover um debate sobre o papel da gestão escolar para a melhoria da qualidade da educação pública.

Representantes das redes de ensino do Ceará e Rio de Janeiro foram convidados para compartilhar suas experiências de gestão escolar com cerca de 250 agentes públicos da política educacional capixaba dentre diretores de escolas, supervisores, superintendentes regionais e equipe técnica do governo estadual.

Haroldo Rocha, secretário de Estado da Educação do Espírito Santo, abriu o evento e destacou o impacto dessas discussões no trabalho dos gestores. “Essa troca de experiências com outros estados é muito importante porque o dia a dia do gestor escolar é muito intenso. Aqui tivemos dois casos de sucesso e de mudança rápida, Ceará e Goiás, por aplicação da metodologia. Isso dá um conforto, dá mais segurança, gera um grau de confiança maior e isso impulsiona eles a buscarem o resultado”.

O secretário também enfatizou a importância do planejamento e do método para alcançar os resultados almejados por cada escola. “Nós não trabalhamos improvisando, saímos de casa com um rumo traçado”, afirmou.

Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco ressaltou que é preciso “incorporar modos de trabalho no cotidiano que estejam operando a serviço do pedagógico”. Henriques também falou sobre como padrões podem viabilizar a autonomia das escolas: “Padrão não é sistema de controle, é entendimento do que é a melhor prática e a sistematização dela.” Outro ponto destacado pelo superintendente foi a equidade, que afirmou ser “o princípio chave para a gestão escolar orientada para resultados de aprendizagem. É preciso ter ações afirmativas voltada para grupos de maior vulnerabilidade e isso é decisão de gestão.”

Júlia Sant’Anna,  assessora especial de infraestrutura e tecnologia da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, e Maria Elisabete de Araújo, responsável pela área de Gestão Escolar da Coordenadoria de Desenvolvimento da Escola e da Aprendizagem (CODEA) da Secretaria Estadual de Educação do Ceará, relataram experiências bem sucedidas nos respectivos estados e as dificuldades enfrentadas para realizá-las.

Sant’Anna enfatizou a importância do aprimoramento das ações de acompanhamento e contou sobre a rotina mensal de acompanhamento que criaram no estado para garantir que as metas definidas por escola sejam atingidas. Supervisores das regionais do Rio de Janeiro fazem reuniões mensais com diretores e professores e, caso a escola não tenha alcançado a meta, elaboram juntos ajustes de ações. Esses resultados são apresentados e debatidos bimestralmente com o secretário de educação.

Araújo relatou como o projeto Professor Diretor de Turma, no qual um professore fica responsável pelos estudantes de uma sala, melhorou a relação aluno-escola. “Nós precisamos conseguir chegar dentro da sala de aula para apoiar melhor o professor”, defendeu. “Delegar é dividir responsabilidade. Responsabilidade e autonomia se faz junto.”

Alexsandro do Nascimento Santos, doutor em História da Educação pela Universidade de São Paulo (USP), falou sobre autonomia e gestão escolar para resultados. Santos ressaltou que a gestão democrática da escola pública “aperfeiçoa a administração escolar porque ela reconhece os sujeitos, garante a escuta dos sujeitos e amplia a visão do diretor” e explicitou que a autonomia da escola têm limites. “A autonomia da escola é sempre fruto de uma negociação implícita ou explícita entre a unidade e o sistema de ensino.”

No período da tarde, os diretores se dividiram em grupos para debater os conteúdos apresentados pelos palestrantes e sistematizaram questões direcionadas a eles. Entre elas, foram apresentadas perguntas sobre o papel do diretor e motivação dos professores.

Nesse contexto, Sant’Anna falou sobre a importância de uma “gestão criativa” para lidar com as dificuldades na rotina da escola e do plano de carreira para docentes implementado no Rio de Janeiro. Já Araújo relatou como a troca de experiências entre gestores escolares do Ceará colaborou para o aprimoramento de ações; e Santos destacou a importância da corresponsabilização entre escolas e secretarias.