Estudantes de Ensino Médio encerram participação em encontro no Ceará com 92 produtos artísticos sobre a realidade da gestão escolar

Noventa e dois produtos artísticos foram produzidos por estudantes cearenses do Ensino Médio durante três dias do evento Diálogo sobre Gestão, realizado em Fortaleza, de 26 a 28 de Outubro. Fanzines, cartazes, músicas, vídeos, programas de rádio, carta-documento e até uma entrevista com o secretário de Educação do Ceará, Idilvan Alencar. O evento, promovido pela Secretaria de Estado de Educação do Ceará e o Instituto Unibanco com o intuito de estimular a participação juvenil na gestão das escolas, permitiu a 709 estudantes da rede pública cearense compartilhar experiências e apontarem problemas e soluções para o cotidiano escolar.

O evento foi encerrado na sexta-feira, dia 28/10, com a perspectiva de ter o material produzido pelos jovens nas estratégias e ações de gestão das escolas da rede pública do Ceará. “O que foi produzido vai pautar nossas estratégias e ações de gestão. Técnicos da Seduc acompanharam o evento. Vou passar essa mensagem na reunião do comitê executivo que temos na secretaria”, disse Idilvan Alencar. “É interessante o trabalho do Instituto Unibanco de trazer a linguagem do jovem para os jovens. É uma metodologia de êxito, que abre um espaço de liberdade a eles. Aquele modo tradicional de ouvir o jovem não contribui muito”, completou.

O próprio Secretário de Educação participou de um dos pontos altos da programação, quando atendeu a uma série de pedidos dos estudantes e cedeu a palavra a eles enquanto discursava. Ao final, foi sabatinado durante 25 minutos, ouviu reivindicações e respondeu a 11 perguntas sobre assuntos diversos relacionados à educação estadual.

“O balanço foi hiperpositivo e foi especial a disposição ao diálogo. Disposição do jovem, que soube reconhecer que tinha um espaço para falar, e do secretário de educação, que quis abrir a fala dele para perguntas. Houve uma abertura grande ao diálogo, que reflete o perfil do Estado na construção da política pública”, afirmou Natália Aisengart, responsável pela Agenda de Juventude do Instituto Unibanco.

A metodologia usada no Diálogo sobre Gestão alia a teoria de conceitos educacionais com aprendizagem, equidade e gestão democrática às cenas do cotidiano escolar para que o jovem reflita sobre a escola e a corresponsabilização na sua gestão.

A programação diária foi dividida em três partes: apresentação do que é gestão escolar e dos conceitos relacionados; reflexão sobre o papel do estudante na gestão e os problemas e as dificuldades da escola e sobre como eles podem participar da dinâmica desse universo; e participação em atividades artísticas nas quais os estudantes expressam ideias e conceitos debatidos ao longo do dia, encerrando com as apresentações dos trabalhos em grupo.

“Mesmo que o estudante diga que não entende de gestão, a verdade é que ele já a pratica. Por isso temos um trabalho de trazer conceitos como equidade e transparência para o vocabulário deles e estimular uma postura ativa dos estudantes”, disse Natália.

Todo material produzido no evento foi compilado em pendrive e distribuído aos estudantes, com orientações detalhadas sobre as produções realizadas, para que apresentem e repliquem as atividades em suas escolas.

Liderança e diversidade

Os estudantes que participaram do Diálogos sobre Gestão no Ceará têm perfil de liderança. Alguns são engajados em movimentos sociais ou participaram de ocupações de escolas estaduais neste ano e muitos deles são presidentes de grêmio estudantil, como Ana Maria Rocha, de 14 anos, do 1º ano do Ensino Médio em Milagres-CE. “Represento todos que confiaram em mim quando montei uma chapa. Um bom presidente é aquele que prepara os outros para o substituírem. Por isso sempre digo que no nosso grêmio são 13 presidentes” afirmou Ana Maria.

Entre as produções apresentadas, destacou-se o tema do respeito à diversidade, como quando os estudantes entoaram “Olhos Coloridos”, canção considerada símbolo do orgulho negro no Brasil, ou exibiram um vídeo em defesa da causa dos estudantes surdos.

“A ideia do vídeo foi defender a acessibilidade para os surdos. Eu estudo em uma escola bilíngue, mas outros ambientes precisam de intérprete, inclusive na formação dos professores. Encontramos muitas barreiras e a comunicação para nós ainda é a principal dificuldade.”, afirmou Weverson Martins, 21 anos, estudante com deficiência auditiva do 2º ano do Ensino Médio em Fortaleza-CE que foi um dos autores e apresentador do vídeo.