Seminário no Pará promove debate e reflexão sobre estratégias de enfrentamento à evasão e ao abandono escolar

No dia 21 de junho, Belém (PA) recebeu o seminário “Fluxo Escolar: Desafios e Ações de Enfrentamento”. Realizado pela Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc) e pelo Instituto Unibanco, o encontro reuniu cerca de 450 participantes, entre diretores e coordenadores pedagógicos das 203 escolas de Ensino Médio público parceiras do Jovem de Futuro no estado, gestores das regionais e técnicos da Seduc.

“Olhar para o fluxo escolar é a radicalidade de colocar os estudantes no centro da gestão”, ressaltou Maria Júlia Azevedo, gerente de Implementação de Projetos do Instituto Unibanco, durante a abertura do evento. “O nosso projeto é que nossos filhos, sobrinhos, amigos, netos percorram um trajeto de aprendizagem. E hoje vemos que muitos se desviam desse trajeto ou porque abandonam a escola ou porque estão muito atrasados na aprendizagem. Todos que estão aqui nesse seminário têm força para mudar essa situação”, completou.

Na primeira mesa do dia, “Fluxo escolar e os desafios interpostos à gestão pedagógica das escolas de Ensino Médio no Pará”, Simone Palheta, coordenadora estadual do Censo Escolar, falou sobre a importância da análise de dados para o planejamento e a definição de metas das escolas. “O Censo Escolar reflete o que a escola fez e está fazendo”, afirmou. Simone também enfatizou como os dados podem ser usados como indicadores, sinalizando os avanços e os desafios das escolas. Delma Cardoso, especialista em Educação da Coordenação de Matrícula Escolar da Seduc, complementou: “É preciso fortalecer o diagnóstico da situação nas escolas para planejar ações mais assertivas”.

Laura Muller, pesquisadora do Insper e do Instituto Ayrton Senna, apresentou a pesquisa “Engajamento Escolar”, realizada pelo Insper, Instituto Ayrton Senna, Fundação Brava e Instituto Unibanco, destacando os dados do Pará. Embora tenha conseguido dar um salto relevante nos índices de acesso de jovens à escola, sendo o sexto estado com maior percentual de estudantes de 15 a 17 anos matriculados no Ensino Médio, o estado apresenta um desafio com relação à aprendizagem dos jovens, um dos principais fatores para o abandono e a evasão escolar. O Pará teve mais de um quarto de seus estudantes reprovados no Ensino Médio e a taxa de evasão está em 13,5%. “O direito à educação está baseado em três garantias: a garantia ao acesso, ao progresso e ao aprendizado. O Pará colocou o jovem na escola, mas esse jovem está sendo reprovado e ele aprende menos que a média brasileira”, pontuou. A pesquisa pode ser acessada no site www.gesta.org.br.

Boas práticas na rede paraense

O seminário tinha como um dos objetivos compartilhar boas práticas  da rede paraense que contribuem para reduzir as taxas de abandono e evasão escolar.

Na segunda mesa do dia, “Estratégias de enfrentamento dos desafios do fluxo escolar: o que vem sendo realizado de boas práticas na rede estadual de ensino do Pará”, gestoras apresentaram algumas das iniciativas realizadas. A diretora escolar Christiane Guimarães falou sobre o Conselho de Classe, implementado em 2012 e que vem sendo aperfeiçoado ao longo dos anos. “É um espaço coletivo de reflexão e avaliação dos estudantes. A união da comunidade escolar ajuda a encontrar soluções para os mais diversos problemas que enfrentamos no cotidiano da escola, desde a falta de participação das famílias, problemas de indisciplina do aluno em sala de aula, entre outros”, disse.

Já a diretora Lígia Figueiredo falou sobre o foco de sua gestão no planejamento. “Esse é um processo com alguns passos: é preciso avaliar, controlar e gerar informações sobre a escola, corrigir a rota do planejamento inicial e acompanhar as evidências dos resultados das ações”. Um exemplo de inciativas desenvolvidas na escola é o grupo de monitores, formado por estudantes com bom desempenho que ajudam aqueles que apresentam mais dificuldade.

A supervisora da Seduc, Rita de Cássia Lopes, destacou que as escolas ainda têm muita dificuldade em usar e entender os dados estatísticos. Também lembrou que o engajamento de professores e gestores escolares é essencial para o preenchimento correto dos dados e para a análise dessas informações.

Estratégias de enfrentamento aos desafios do fluxo escolar

A segunda parte do Seminário foi dedicada à uma dinâmica, em que os grupos de trabalho discutiram problemas frequentemente observados no tema do fluxo escolar. Durante o exercício, os participantes refletiram sobre como aumentar a taxa de aprovação, como promover a maior participação dos estudantes nas decisões da escola, como incentivar os professores a atrair atenção dos jovens nas disciplinas mais críticas, como garantir a permanência na escola, entre outros.

 

Acesse as apresentações:

Painel 1: Fluxo escolar e os desafios interpostos à gestão pedagógica das escolas de Ensino Médio do Pará
Painel 2: Estratégias de enfrentamento aos desafios do fluxo escolar: o que já vem sendo feito de boas práticas na rede estadual de ensino do Pará?
Trabalho de grupo: estudo de caso
Sistematização do trabalho de grupo: estudos de caso