Instituto Unibanco e Seduce de Goiás realizam seminário sobre equidade na aprendizagem

O Instituto Unibanco e a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte de Goiás (Seduce) realizaram, no dia 8 de agosto, em Pirenópolis (GO), o Seminário Gestão Escolar para a Equidade: Desafios da Tutoria Educacional. O encontro reuniu mais de 300 tutores educacionais e diretores do núcleo pedagógico das 40 coordenações regionais de educação, cultura e esporte da rede estadual de Ensino Médio do estado. Tutores são técnicos das regionais que apoiam a gestão da escola. A iniciativa faz parte do Jovem de Futuro, programa de gestão educacional desenvolvido pela parceria do Instituto Unibanco com a Seduce.

O objetivo do encontro foi promover a equidade como valor e princípio da gestão para alavancar os resultados de aprendizagem dos estudantes. Por isso, o seminário buscou sensibilizar e engajar os tutores para o enfrentamento das desigualdades de aprendizagem entre os estudantes.

“Nós temos dois desafios. O primeiro é ser universal, que é aplicar e fazer funcionar o conceito de educação para todos, e o segundo é gerar resultados, ou seja, garantir o acesso ao conhecimento”, disse Maria Julia Azevedo, gerente de implementação de projetos do Instituto Unibanco. “O querer precisa se desdobrar em ações. Eu preciso acreditar que todos os jovens de Goiás são capazes de aprender o conjunto de conhecimentos que nós colocamos à disposição dos estudantes no Ensino Médio”, finalizou.

Um levantamento elaborado pelo Instituto Unibanco que avalia o acesso à Educação Básica no Brasil, com recorte de raça, mostra que a cada 100 jovens brancos que ingressam na escola, 75 concluem o Ensino Médio. Entre os jovens negros o número cai para 58. Já o recorte de gênero mostra que a cada 100 meninas que entram na escola, 70 concluem o Ensino Médio enquanto apenas 61 meninos conseguem concluir o 2° grau.

Equidade

A mesa “Um olhar sobre raça e gênero na perspectiva da equidade na educação” apresentou projetos dedicados a promover melhorias dentro das escolas e nas gestões.

Nohemy Rezende Ibanez, da área de Diversidade e Inclusão Educacional da Secretaria Estadual de Educação do Ceará, compartilhou as mudanças feitas na estrutura organizacional da Secretaria com o objetivo de fortalecer a escola como um espaço de inclusão e de respeito à diversidade. Atualmente, há 40 funcionários dedicados a manter o diálogo com movimentos sociais, promover a qualificação da equipe e captar recursos financeiros para o desenvolvimento de ações e projetos.

A mesa também contou com a presença das alunas Fernanda e Regina da Universidade Federal de Goiás – UFG e Clarissa Alves, estudante do 2° ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Solon Amaral, acompanhada pelo gestor do colégio, Ludwaler Rodrigues da Silva. As três estudantes integram o projeto “Investiga Menina!”, realizado pelo Grupo de Mulheres Negras Dandara do Cerrado, que visa promover ações coletivas para o beneficio da comunidade escolar e proporcionar experiências e informações sobre as contribuições das mulheres para a criação de recursos científicos e tecnológicos. O “Investiga Menina!” é um dos vencedores do II Edital Elas nas Exatas, iniciativa do Fundo Elas com apoio Instituto Unibanco, ONU Mulheres e Fundação Carlos Chagas.

“A escola precisa falar a língua dos alunos. Antes desse projeto, as meninas não eram incentivadas a ingressar na área de exatas. Não é possível a mesma metodologia de ensino aplicada para os meus avós dar certo com a nossa geração. A gente vê que é possível fazer diferente, eu posso e todas as outras também podem”, enfatizou Clarissa.

Gestão pedagógica

 Os gestores foram divididos em oito grupos para analisar alguns dados de suas escolas e discutir sobre as melhorias que já podem ser executadas. O gerente de Gestão Pedagógica da Secretaria de Educação de Goiás, Marcelo Jerônimo, destacou que é preciso qualificar o olhar da rede para a análise de dados para poder produzir e conduzir projetos com qualidade. “Estamos há poucas semanas para receber os novos números do Ideb. Se queremos uma escola de qualidade, não existe outro caminho que não seja o da equidade. Nós não podemos estar satisfeitos enquanto 100% dos nossos alunos não estiverem aprendendo”, disse Jerônimo no encerramento do evento.